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Celesc é apenas parte visível de queda-de-braço

 A queda-de-braço entre as bancadas do PSD e do PMDB na Assembleia Legislativa, motivada pelo bilionário financiamento, com juros bem em conta, que a Celesc conseguiu junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e à Agência Francesa de Fomento, é apenas a parte visível do impasse político-eleitoral que se iniciou, quando o deputado Gelson Merisio botou o bloco na rua, anunciando sua pré-candidatura ao governo do Estado. Ao avaliar os cenários e partir para o campo de costuras de apoios estratégicos, Merisio e seu grupo naturalmente começaram a se distanciar do PMDB. Embora juntos no governo, os dois partidos têm projetos distintos para 2018, o que acaba colocando os inimigos a dormirem uns com os outros.

O tempero deste embate, recheado de dúvidas, é a posição do governador Raimundo Colombo. Se ele renunciar, entrega o governo ao PMDB. Mas daí seria candidato por outra coligação, contra os peemedebistas? Outra dúvida: haverá dinheiro em caixa no ano que vem para pelo menos honrar a folha e os compromissos? Neste contexto, o PMDB faz força porque o financiamento da Celesc daria fôlego financeiro ao eventual governo-tampão, com reflexos no projeto eleitoral.

Gabriel Ribeiro (E-PSD), em pé o líder pessedista, Darci de Matos, e Mauro de Nadal, líder do PMDB na Alesc
Gabriel Ribeiro (E-PSD), em pé o líder pessedista, Darci de Matos, e Mauro de Nadal, líder do PMDB na Alesc

Contra-ataque

A bordo da CPI da JBS e de outras ações, na perspectiva da posse de Raquel Dodge na Procuradoria-Geral da República, as quadrilhas instaladas em Brasília preparam, nos subterrâneos, o seguinte: amarrar Judiciário e o MP pela via da lei de abuso de autoridade (uma excrescência); virar o jogo no Supremo, convencendo número suficiente de ministros para soterrar  a prisão de condenados em segunda instância; tornar sem efeito as delações premiadas; instituir foro privilegiado para ex-presidentes, livrando a cara de Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer e manter Geddel Vieira Lima calado.

Propinas

Antônio Palocci entregou Lula da Silva de bandeja. O ex-presidente, que poderia novamente ter se vitimizado e contemporizado, partiu para o ataque sobre o ex-companheirão diante de Sérgio Moro. Resultado: já estão vazando detalhes da propina mensal que o ex-ministro entregava ao ex-metalúrgico. Gleisi Hoffmann, a narizinho empinado do PT e bastante afeita a dinheiro público, também já entrou na roda de detalhes que Palocci tem na manga. Lula da Silva vai se enterrando cada vez mais no castelo de areia que ele próprio erigiu.

Sepulcral

Na quinta-feira, 22, a expectante entrevista do vice-governador, Eduardo Moreira, a uma Rádio de Chapecó, estará completando um mês. Naquele dia, o peemedebista detonou o pré-acordo entre PP e PSD, selado na moção de compromisso dos pepistas durante sua convenção. Moreira declarou que havia “coisa pesada” nos bastidores e que em breve seriam reveladas. Até agora, nada.

Inexplicável

Apesar da revogação da prisão temporária do reitor da UFSC, Luiz Carlos Cancellier, até segunda ordem um cidadão ilibado, o estrago da detenção dele na semana passada está feito. Em linhas gerais, Ministério Público e Polícia Federal têm feito um trabalho digno de todo o aplauso. Mas há excessos. Que precisam ser contidos.

Foto>Ag. Alesc, divulgação