Coluna do dia

Fundão do poço

Ridícula. Assim pode ser classificada a gambiarra política que estão chamando de reforma eleitoral. Basicamente, levou-se um ano de blábláblá para se aprovar a única coisa que realmente interessava às suas “Excelências”: o Fundão. Bilhões de dinheiro público nas mãos de gente enrolada até o pescoço em todo o tipo de investigações acerca de malfeitos históricos com dinheiro público. Na prática, o R$ 1.7 bilhões que será retirado do Orçamento da União em 2018 para as ricas campanhas dos eleitos será “gerenciado” pelos “donos” dos partidos.

A saber. Figuras como Romero Jucá (PMDB), Ciro Nogueira (PP), Gleisi Hoffmann (PT) e Aécio Neves (PSDB), só pra citar os mais “famosos”, vão administrar a bolada dentro de seus feudos partidários. Enquanto isso, importante lembrar que Dilma Rousseff e Michel Temer – só pra ficar no engodo mais recente – prometeram entregar a duplicação de quase 80 quilômetros da BR-470 no dia 6 de outubro (ontem), justamente a data na qual os nobres representantes do povo finalizaram os detalhes para enfiar a mão no bolso dos pagadores de impostos com argumentos os mais esfarrapados possíveis.

O valor final das obras –  reivindicação histórica de SC – é estimado em R$ 1,5 bilhão. Pela bolada inicial que caberá ao Fundão, daria para terminar a duplicação e ainda sobrariam R$ 200 milhões!

 

Crueldade

A tunga ao bolso do esfolado cidadão tem detalhes sórdidos. Principalmente por não haver uma só medida para diminuir os custos das nababescas campanhas eleitorais no Sul do Mundo. E o pior. O Fundão nasce com um piso. Mas não tem limites para engordar e arrecadar  mais. Conhecendo a voracidade dos nossos políticos, e seu apreço pela facilidade de meter a mão na bolsa da viúva, o céu é o limite.  Vergonha. Deboche. Acinte como nunca antes na história deste país.

 

Detalhe

A bancada federal catarinense fechou todos os recursos das emendas coletivas dos deputados federais e senadores para a área da Saúde em 2018. Significa que, na medida em que pelo menos 30% das emendas federais vão para o Fundão sem limites da farra eleitoral, no ano que vem haverá necessariamente menos recursos para a combalida saúde pública. O povo? Bom, o povo…

 

Interlocução

O ministro das Cidades Bruno Araújo, colega de bancada do deputado federal Marco Tebaldi, ligou para o tucano catarinense garantindo que irá atender os pleitos dos prefeitos que foram recebidos por ele a pedido de Tebaldi e o senador Paulo Bauer. Foram recepcionados os  os prefeitos Antidio Lunelli (Jaraguá do Sul), Julio Ronconi (Rio Negrinho) e Jorge Krüger (Timbó). Tebaldi tem tido um bom trânsito neste ministério, cujo titular é bem acessível.

 

Crítica

O deputado federal Celso Maldaner (PMDB) votou contra e criticou a aprovação pela Câmara dos Deputados, do fundo público de financiamento de campanhas. O parlamentar explica que estão previstos no orçamento de 2018 R$ 4,5 bilhões para emendas de bancada, dos quais R$ 1,35 bilhão (30%) serão destinados às eleições.