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O preço da ficção petista!

Se alguém ainda tinha dúvidas sobre como a campanha de Dilma Rousseff (que tinha Michel Temer como vice em 2014) foi financiada, elas evaporaram com o depoimento do Príncipe Marcelo Odebrecht (que se autodeclarou o bobo da corte no reino da corrupção) ao TSE. No palácio da Justiça, o empreendedor, que não faz muito era adorado e bajulado por 11 entre 10 políticos, cravou na testa da dupla reeleita naquele ano a marca do caixa dois. Na tradução dos botequins, caixa dois significa dinheiro público saqueado da bolsa da viúva para financiar a maior peça de ficção de que se tem notícia na história eleitoral do Sul do mundo.

Foi em 2014 que Dilma, a ex-honesta, ludibriou boa parte do distinto público, apresentando um Brasil que, de fato, só existia nos porões da corrupção, que prosperou como nunca antes na história deste país.

Agora se sabe que a patranha custou à Odebrecht, que já havia lucrado bilhões e esperava continuar nesta toada de samba-enredo, a bagatela de R$ 150 milhões. Quase toda essa grana jorrou diretamente do departamento de propinas da portentosa companhia. E Dilma, segundo o Príncipe, sabia de tudo. As revelações põem por terra a máscara de honestidade da ex-mãe do PAC e rasgam a fantasia de “presidente reformista”, com a qual Temer vem tentando desfilar nos últimos dias.

Complicou

As revelações de Odebrecht ao relator no TSE, Herman Benjamin, dificultam a tese, sustentada pelos advogados de Michel Temer, de fatiamento dos processos que pedem a cassação da chapa de 2014.  Embora o empresário tenha citado que os R$ 150 milhões foram para o PT, ele também confirmou o famoso jantar no Jaburu, onde foi mordido por Temer. Além do mais, o próprio presidente advoga a tese de que foi eleito junto com Dilma, com a foto dos dois nas urnas em 2014, para espantar a balela do golpe!

Viés

Por outro lado, há quem esteja convicto de que o julgamento será separado, com avaliações distintas sobre o caixa 2 do PT, cabeça de chapa, e o do PMDB, e o vice.

Andar de baixo

No jantar no Jaburu, não se falou em valores. O numerário foi tratado por Padilha e diretores da empreiteira depois da conversa no andar de cima entre Temer e Odebrecht.

Lentidão

Ainda no primeiro semestre, o TSE deve receber dois novos ministros. Tudo indica que ambos pedirão vistas aos processos, conferindo mais lentidão ao trâmite das ações que pedem a degola da chapa Dilma-Temer. Existe um sentimento de que se algo de mais sério ocorrer antes das eleições de 2018, alcançará somente a petista. A conferir.

Volta?

Depois de José Yunes, amigo de mais de 50 anos de Michel Temer, agora foi a vez de Marcelo Odebrecht desenhar: Eliseu Padilha, que nos anos 90 ficou conhecido com Eliseu Quadrilha, era o capataz do quinhão peemedebista no feudo de corrupção que se estabeleceu no Brasil. No olho do furacão, o ministro coincidentemente saiu de licença para tratamento médico! Como o próprio presidente assumiu a articulação política, fica a dúvida: Padilha voltará à estofada cadeira na esplanada?