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INDUSTRIAIS APOSTAM NA RETOMADA DA ECONOMIA

 O País está iniciando seu processo de crescimento, que é lento, após recessão profunda e duradoura. Mas entre os Estados que estão sinalizando para a retomada do crescimento, Santa Catarina se destaca, com elevação da produção industrial, da exportação e da geração de empregos. “Ainda vamos ter que trabalhar muito duro, mas as perspectivas para 2018 já serão bem melhores do que as deste ano”, avaliou o presidente da Federação das Indústrias de Santa Catarina (FIESC), Glauco José Côrte, na noite desta quarta-feira (30), durante o Encontro de Ideias da ADVB-SC. Também participaram do debate, realizado na FIESC, o presidente do conselho de administração da Weg, Décio da Silva, o presidente da Engie Energia, Eduardo Sattamini, e o ex-presidente e atual conselheiro da empresa, Manoel Zaroni Torres.

Côrte debateu com Décio da Silva, Eduardo Sattamini e Manoel Zaroni Torres no Encontro de Ideias ADVB (foto: Fernando Willadino)
Côrte debateu com Décio da Silva, Eduardo Sattamini e Manoel Zaroni Torres no Encontro de Ideias ADVB (foto: Fernando Willadino)

“O que precisamos retomar são os investimentos. O que gera emprego, o que dinamiza a economia são os investimentos. Neste aspecto o governo está muito lento”, avaliou Côrte. “Se o governo, ao par das reformas que estão sendo aprovadas, conseguir implementar o seu programa de parceria público-privada nós teremos um ano bem melhor do que foram os últimos”, completou.

Mas ele também chamou atenção para a importância de priorizar a educação como fator-chave para resolver a questão da baixa produtividade do Brasil. O País ocupa a 81ª posição entre 138 países em competitividade e tem perdido posições rapidamente nos últimos anos. O ambiente econômico; os baixos investimentos em inovação, próprios do período de crise; a ineficiência das próprias empresas; as normas abusivas da administração pública, que prejudicam a competitividade das empresas; além da baixa produtividade do trabalhador explicam isso. “Escolaridade não é a única, mas é a principal razão para a baixa produtividade do trabalhador. No ano de 2011 constatamos que, em números redondos, apenas 50% dos trabalhadores da indústria de Santa Catarina tinham escolaridade básica completa”, disse Côrte, lembrando da criação e do trabalho desenvolvido por meio do Movimento SC pela Educação. Em 2015 a participação já havia subido para 56%.

Silva, da Weg, também destacou a profundidade da crise, que comparou com a dos anos 1980. “Vamos ver se agora entramos em uma fase de melhoria, porque os investimentos caíram a zero e o consumo ficou muito baixo. O consumo agora começa a se movimentar um pouco. Mas nós temos um espaço muito grande para voltar os investimentos, e investimento precisa de confiança. Confiança precisa das reformas”, disse. “A trabalhista já foi um bom começo e estamos na expectativa agora do inicio da previdenciária”, completou.

À reportagem da FIESC, o presidente do grupo Engie no Brasil, Maurício Bähr, afirmou que vê o atual cenário como de oportunidades. “O Brasil está trilhando caminho certo, de limpar sua governança, de olhar para frente e fazer as reformas que têm que fazer. Tão logo tudo isso aconteça, o crescimento vai ser retomado imediatamente. A gente acredita nisso e, por isso, estamos investindo bastante na área de geração de energia e na área de serviços. Acreditamos no Brasil no longo prazo”, disse.

Zaroni destacou que as reformas são fundamentais, mas que para superar os ciclos curtos de crescimento interrompidos por novas crises, é necessário reformar o Estado brasileiro, que classificou de centralizador e ineficiente. “Precisamos sair de um Estado assistencial para um estado prestador de serviço, mais eficiente”, resumiu durante o debate mediado pelo presidente-executivo da ADVB-SC, Daniel de Oliveira Silva.

Livro: Após o debate, foi lançado o livro “Manoel Zaroni Torres: Foco nas pessoas, olhos no futuro”, escrito por Duda Hamilton e Nubia Silveira. Zaroni construiu sua carreira em duas empresas, uma pública e outra privada, acompanhando de forma atenta e participativa as diferentes tensões do setor elétrico brasileiro dos anos 1970 para cá. Muitas são as receitas para se tornar um líder, uma delas foco nas pessoas, olhos no futuro. Entre a década de 1970 e a atualidade, o Brasil se consolidou como país industrializado de população majoritariamente urbana. As transformações econômicas e demográficas se refletiram na necessidade de modernização do setor elétrico. Um dos protagonistas dessa história é um engenheiro elétrico nascido em Minas Gerais, que construiu carreira em empresas de energia.