Coluna do dia

Meirelles na ribalta

Tem novo presidenciável na praça. É um nome de centro, de centro-direita mais precisamente e que começa a se apresentar como novo viés para a perspectiva sucessória de 2018. Em entrevistas recentes a veículos de comunicação, que acabaram repercutindo nas redes sociais, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, admite, na entrelinhas, a condição de pré-candidato a presidente.

No mesma projeção de Fernando Henrique Cardoso. Na primeira metade da década de 1990, FCH era o titular fazendário de Itamar Franco, presidente-tampão que sucedeu Fernando Collor de Mello, derrubado.

FHC  implementou o Plano Real e arrumou a  economia nacional. Diretamente da cadeira de ministro e sob égide de pai da recuperação econômica, ele alçou voo presidencial e venceu o pleito de 1994. Em 1998, foi reeleito, batendo Lula da Silva.

Henrique Meirelles quer ir no vácuo de FHC, surfando onda semelhante de retomada da economia e do emprego.  A diferença é que a crise econômica lá atrás, nos anos 1990, não era tão profunda como dos tempos atuais neste país. E  não havia o estrago ético e político da era Lava Jato. Michel Temer se assemelha a Franco na condição de presidente-tampão, mas são situações que guardam diferenças contextuais. Meirelles no páreo pode trazer reflexos ao quadro catarinense. Raimundo Colombo é  correligionário de Meirelles (PSD), bem como o pré-candidato do partido ao governo do Estado, Gelson Merisio.

 

Currículo

Sem sombra de dúvidas, Henrique Meirelles domina como poucos a arte dos números quando o assunto é dinheiro. Seja público ou privada. Mas, se for mesmo candidato, ele pode se preparar para explicar bem como ganhou R$ 180 milhões, entre 2012 e 2016, a bordo dos negócios da JBS. O valor é de sócio e não apenas de consultor. Mas a pergunta que não quer calar é: teria ele misturado as habilidades para tratar com recursos privados e públicos, já que o BNDES, inexplicavelmente, financiou bilhões à JBS em contratos pra lá de camaradas.

 

Companheiro

Meirelles também tem no currículo o fato de ter sido presidente do Banco Central na maior parte do governo Lula da Silva (a era Lula da Silva teve continuidade com o poste Dilma Rousseff).

 

Abismo

A investida da ministra Luislinda Valois (sim, ela tem assento na esplanada), esperneando e citando o trabalho escravo para acumular a pensão de desembargadora e o salário de ministro, o que estouraria o teto constitucional de remuneração a servidores públicos, ilustra bem o seguinte: a distância existente hoje entre a maioria das principais autoridades do país e a população pode ser medida em cerca de R$ 61 mil mensais. Um abismo sem fundo!

 

Sintonia

Deputado Marcos Vieira conseguiu articular uma grande chapa de consenso para a convenção do PSDB, dia 11 de novembro. Seguirá no comando partidário, contemplando, ainda, os vários segmentos do ninho tucano. Nas informações oficiais não está dito, mas sua permanência na proa da nau tucana tem tudo para estar condicionada ao projeto majoritário de Paulo Bauer em 2018.

 

Discriminação

Enquanto o PMDB liberou o deputado Antônio Aguiar para deixar o partido – seu novo endereço deve ser o PSD – o PR fez de tudo para confundir Natalino Lázare, que ganhou, por 7 a 0, na Justiça Eleitoral,  o direito de sair do partido, para tomar-lhe o mandato.