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A ressurreição do Coaf e uma história mal contada!

As considerações de Flávio Bolsonaro, deputado fluminense que elegeu-se senador em outubro, sobre o rumoroso caso das movimentações financeiras de seu ex-assessor, são rasas como uma poça d’água no Verão.

Friamente, é plausível entender que o parlamentar tenha transferido toda a responsabilidade das explicações a Fabrício de Queiroz, o ex-assessor guindado à berlinda do noticiário após o Conselho de Controle de Atividades Financeiras, Coaf, órgão ligado ao Ministério da Fazenda, ter identificado a movimentação de R$ 1,2 milhão em um ano numa conta de Queiroz.

O mais grave, contudo. Também identificaram-se depósitos de outros servidores do gabinete de Flávio na mesma conta  de Fabrício Queiroz. A velha política, em todos os seus níveis, tem como uma de suas mais nefastas e arraigadas práticas a contratação de servidores muitas vezes sem grandes qualificações profissionais com salários considerados altos para o mercado de trabalho.

No fim do mês, o servidor “aquinhoado” fica com uma parte (30%, 40%, 50%)  e devolve a outra ao empregador. No caso, o político que tem o poder de nomear quem quiser para cargos de confiança! Não cabe à coluna fazer juízo de valor se é isso que ocorreu nesta situação. Mas espera-se que Flávio Bolsonaro tenha razão quando disse que seu ex-servidor tem explicações bastante plausíveis sobre a pequena fortuna que ele movimentou em apenas 12 meses!

Jair e Flávio Bolsonaro – foto – AP foto, Silvia Izquierdo

Respingou

A movimentação financeira de Fabrício Queiroz atinge diretamente Jair Bolsonaro. E não somente porque o homem trabalhava para seu filho. Mas porque o próprio presidente eleito admitiu que Queiroz é seu amigo pessoal de longa data e que os R$ 24 mil depositados na conta de Michelle Bolsonaro, esposa de Jair, eram dele, frutos de um empréstimo que fez ao amigo. Aliás, segundo o presidente eleito, ele socorreu financeiramente  o ex-assessor de Flávio inúmeras vezes.

Dúvidas

Muito bem. Mas aí cabe perguntar: o empréstimo de Jair a Fabrício foi em dinheiro vivo? Qual a origem dos R$ 40 mil que Bolsonaro alega ter emprestado a ex-servidor do filho? Por que os pagamentos não foram feitos por transferência bancária, como ocorre com a esmagadora maioria dos mortais? Ainda mais em tempos de internet disponível na palma da mão. Bolsonaro não declarou o valor, isso ele já admitiu, para proteger o amigo do fisco. Ou seja, os dois sonegaram a transação das autoridades fiscais. Por quê? Realmente, espera-se que Fabrício Queiroz convença o Ministério Público, que é onde o caso vai desaguar, de que tudo ocorreu dentro da legalidade.

Outra dúvida

Nos 13 anos do governo do PT, a sensação que se teve é que o Coaf, que voltou ao noticiário, tinha sido anexado pelo governo bolivariano da Venezuela. Praticamente não se ouviu falar de Coaf. Agora tão zeloso da ordem financeira nacional, o órgão fazendário não detectou uma mísera movimentação financeira suspeita envolvendo operadores da Petrobrás, Eletrobrás, Correios e por aí vai, situações que geraram o mensalão e o Petrolão. O diligente órgão de controle também não percebeu que bilhões de dinheiro público roubado foram parar no exterior. E jamais suspeitou de que gente como os irmãos Vieira Lima tivessem canalizado R$ 51 milhões em espécie, uma fortuna que não tem origem legal.

Caixa 2

O mesmo Coaf também jamais suspeitou que, o consórcio de empreiteiras que se associou aos governos do PT com os partidos aliados (MDB, PP, PSD, PR)  visava tomar o país de assalto, tendo sido firmados bilionários contratos com o poder público, Sem falar na sonegação de movimentações milionárias que foram parar nas mãos de políticos para suas alegadas campanhas eleitorais, o chamado caixa 2. Ainda bem, antes tarde do que nunca, que o Coaf acordou!

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