Diante do desafio crescente de qualificar líderes para a indústria, a Associação Brasileira de Recursos Humanos de Santa Catarina (ABRH-SC) e a Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (FIESC) estabeleceram uma parceria para capacitar profissionais com competências técnicas e comportamentais. O movimento surge em um contexto de mercado aquecido, mas que enfrenta dificuldades na formação de lideranças.
Segundo o Mapa do Trabalho Industrial, elaborado pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), a indústria catarinense precisará qualificar 953,4 mil trabalhadores até 2027. O estudo aponta que a demanda vai além do domínio de máquinas e softwares, incluindo habilidades socioemocionais, como pensamento crítico, criatividade, inteligência emocional e capacidade de liderança.
“Investir na requalificação das pessoas e na formação de líderes é estratégico para sustentar o crescimento industrial”, afirma Diego Martins, presidente da ABRH-SC. Ele destaca que, embora a indústria seja responsável por 28,5% do PIB catarinense e empregue mais de 900 mil trabalhadores, muitos profissionais resistem a assumir cargos de gestão. O receio está relacionado às exigências do papel, como liderar equipes diversas, conduzir processos de inovação e transformar estratégias em ações concretas.
Para enfrentar esse desafio, ABRH-SC e FIESC estabeleceram um grupo de trabalho voltado ao debate sobre liderança e seus desafios. O primeiro encontro ocorreu em fevereiro e a iniciativa continuará para construir soluções concretas para o desenvolvimento de lideranças no estado.
A solução passa por novas abordagens na capacitação. “O profissional da indústria tem alta qualificação técnica, mas precisa desenvolver melhor suas habilidades interpessoais para influenciar e engajar equipes”, diz Martins. Para Dione de Quadros Teodoro, diretora de Gestão de Pessoas na Intelbras, as empresas também têm um papel essencial ao fomentar programas de aprendizado e desenvolvimento. “Profissionais buscam organizações que proporcionem oportunidades de crescimento. Estimular boas conversas de carreira dentro das empresas e das instituições de ensino ajudam o profissional a amadurecer essa visão sobre galgar uma carreira de gestão”, observa.
Na estrutura da FIESC, iniciativas de educação profissional já incorporam disciplinas sociocognitivas. O SENAI e o SESI incluem em seus cursos a capacitação em trabalho em equipe e liderança. Além disso, a Academia FIESC de Negócios oferece programas de educação executiva voltados à alta direção das indústrias, incluindo cursos para mulheres. “Nosso objetivo é ampliar essas iniciativas e consolidar uma cultura de formação de líderes alinhada às demandas da indústria”, conclui Fabrízio Pereira, diretor de Educação, Saúde e Tecnologia da FIESC.