Blog do Prisco
Manchete

Amin volta a criticar a condução do Inquérito 4.781 e faz apelo a senadores

O senador Esperidião Amin, em pronunciamento no Plenário do Senado Federal nesta terça e quarta-feira, voltou a criticar os ‘abusos’ do Supremo Tribunal Federal. Na terça, Amin criticou a condução do Inquérito 4.781 do STF, que apura os atos antidemocráticos do dia 8 de janeiro. No entanto, comemorou o que, segundo ele, é uma “consequência do descontentamento dos colaboradores do ministro Alexandre de Moraes”. O senador alegou que os vazamentos publicados pelo jornal Folha de S.Paulo revelaram ao Brasil as “arbitrariedades” praticadas pelo ministro.

— Um inquérito que desconsidera o Estado de direito e está estabelecido desde março de 2019, debochando do Estado democrático de direito e da democracia que nós almejamos. A última consequência, a mais escandalosa também, é que um dos colaboradores do ministro Alexandre de Moraes, o Sr. Tagliaferro, estaria se sentindo ameaçado. Isso é mais ou menos como a bênção do WikiLeaks, jamais deveria ser considerado um vazamento e, sim, uma conquista da democracia do mundo — disse.

O senador enfatizou que a decisão do STF de colocar Alexandre de Moraes à frente das investigações sobre os vazamentos é uma “agressão contra a sociedade”. O parlamentar alegou que a decisão fere o princípio da imparcialidade, uma vez que o próprio ministro está envolvido no caso.

— Investigar a cena em que teriam sido cometidos crimes, contravenções e abusos de poder por alguém, e ser este alguém o investigador, escancaradamente, isso é o cúmulo. O acusado, o suspeito, o possível réu, é o investigador. Só que é o investigador daquilo que pode comprometê-lo, e ele está aqui fazendo julgamento. Mas o principal responsável pelas acusações que derivam desses fatos é o próprio ministro. E ele avocar para si, com consentimento de todos, inclusive com a nossa passividade aqui? — questionou.

Amin finalizou seu pronunciamento na terça, destacando a manifestação marcada para o próximo dia 7 de setembro, que pode ser decisiva para a sociedade brasileira.

— Quero dizer que essa manifestação do dia 7 de setembro próximo é uma manifestação que será decisiva para a sociedade brasileira, sem violências, mas dizendo “alto lá” para a arbitrariedade. E isso certamente será objeto de outros comentários nossos, porque o Senado não vai conseguir fazer olhar de paisagem diante desse escândalo – disse o senador.

Senador Amin voltou a se manifestar na Sessão do Senado nesta quarta-feira (28)

Nesta quarta-feira (28), Esperidião Amin voltou a destacar os ‘abusos’ do STF em relação ao assunto dos vazamentos publicados pelo jornal Folha de S.Paulo, que revelaram ao Brasil as “arbitrariedades” praticadas pelo ministro Alexandre Moraes

— Pelo que se percebe, pelas gravações que vieram à baila, ele requereu o impedimento na forma dos artigos 252 do código de processo penal e os artigos 277, 278 do regimento interno do Supremo Tribunal Federal requereu que fosse declarado impedido de investigar um vazamento que pode prejudicar o próprio ministro Alexandre Moraes, que é o único apontado no Supremo por tais gravações. Quer dizer, ele é o juiz, o investigador daquilo que pode comprometê-lo. Será que já não comprometeu? E pasme, foi negado pelo presidente do Supremo Tribunal Federal a procedência desta arguição de impedimento, ou seja, o STF consente que seu integrante que é digamos assim o alvo, ainda não, mas que pode vir a ser incriminado pode ser, o entre aspas, réu daquilo que está sob investigação. Ele vai julgar, ele é autoridade constituída para impedir que se conheçam os fatos que estão vindo à baila, ou seja, é a censura para que alguém não se incrimine e este que pode ser incriminado é que vai julgar. Não existe maior demonstração de parcialidade de jogo feito previamente do que um caso como este – destacou Amin.

Esperidião Amin fez ainda um apelo aos seus colegas senadores para que se posicionem sobre o assunto.

— Eu queria fazer um apelo aos senadores e senadoras, independentemente de partido político, nós não podemos fazer olhar de paisagem diante disso que está acontecendo e vamos ouvir o murmúrio, a voz, e daqui a pouco a voz tonitruante das ruas a respeito deste abuso contra o estado democrático de direito, a existência do inquérito 4781 a 5 anos e meio, e o acúmulo de funções agora até para uma espécie de proteção à blindagem sobre quem pode ser chamuscado pelos ecos, pelas consequências desses fatos que estão vindo a público – apelou Amin.

O senador finalizou sua manifestação, citando o projeto de resolução nº 11, do ex-senador Lasier Martins, que estabelece que a admissibilidade do pedido de impeachment não é monocrática.

— A fórmula que vai acabar sendo utilizada é a aprovação do Projeto de Resolução nº 11, do ex-Senador e meu querido amigo, Lasier Martins, que estabelece que a admissibilidade do pedido de impeachment não é monocrática. Isso é uma questão regimental, que pode ser mudada por uma resolução, porque, pela Constituição, compete ao Senado Federal!

Foto: Pedro França/Agência Senado

Posts relacionados

PT é contra a democracia e pede prisão de quem convoca manifestação, um direito sagrado

Redação

“Isso só pode ser uma proposta política para confirmar uma narrativa”

Redação

Amin se manifesta sobre processo que tornou Bolsonaro réu

Redação